SAF ou Associativo? Por que Leila Pereira nega para o Palmeiras o modelo que ela diz ser o “Futuro do Futebol”

Por mikael 4 de dezembro de 2025
Leila Pereira, Pres. do Palmeiras no mundial de clubes de 2025.

Leila Pereira diz que a SAF é o futuro, mas mantém o Palmeiras associativo. Entenda a batalha SAF vs Associativo e o que isso ensina sobre controle societário.

Em entrevista ao Estadão, Leila Pereira foi categórica: “O futuro do futebol são os clubes virarem SAF (Sociedade Anônima do Futebol)”. Porém, na mesma frase, ela descartou transformar o Palmeiras em empresa durante sua gestão.

Para o mercado financeiro, essa contradição é um Paradoxo Estratégico.

Por que uma empresária bilionária, com mentalidade de mercado, prefere manter o clube no arcaico modelo associativo (político) em vez de blindá-lo em uma estrutura empresarial (SAF)?

A resposta não está no futebol, está no Controle e no Poder. Para CEOs e Sócios de grandes empresas, esse caso ensina muito sobre Estrutura Societária e M&A.

1. O “Dono” vs. O “Gestor Eleito”

Numa SAF, o controle é do acionista (quem põe o dinheiro). Numa Associação, o controle é político (quem tem votos). Hoje, Leila tem o melhor dos dois mundos: ela tem o poder econômico de uma “Dona” (via patrocínio), mas opera na estrutura associativa onde ela já dominou a política interna.

  • A Análise: Virar SAF traria Compliance externo, auditoria da CVM (se abrisse capital) e sócios minoritários com direitos legais. Manter-se associativo permite que ela reine absoluta sem as amarras da Lei das S.A.
  • A Lição B2B: Muitas vezes, empresários evitam profissionalizar a estrutura jurídica da empresa (Holdings, S.A.) não por custo, mas para não perderem o controle absoluto e informal das decisões. Isso é confortável para o dono, mas péssimo para o Valuation da empresa.

2. A Armadilha da “Suficiência Financeira”

O argumento de Leila é que o Palmeiras “não precisa de SAF porque tem dinheiro”. Isso é uma visão míope de curto prazo. A SAF não serve apenas para salvar falidos (como foi o Botafogo ou Cruzeiro); serve para perenizar a gestão, baixar o custo da dívida e atrair capital global barato.

  • A Lição B2B: Não espere estar quebrado para buscar sócios ou mudar o regime tributário/societário. As melhores reestruturações (M&A) acontecem quando a empresa está no auge e vale mais. O Palmeiras hoje valeria bilhões como SAF; como associação, ele “vale” apenas o mandato do próximo presidente.

3. A Política como Freio de Mão

Ao manter o modelo associativo, o clube fica refém das eleições a cada 3 anos. Hoje, a “política” é Leila. Amanhã, pode ser um aventureiro populista. A estrutura jurídica atual não blinda o caixa do clube contra um futuro gestor irresponsável.

  • A Lição B2B: Empresas familiares sofrem disso. Enquanto o fundador está lá, tudo funciona. Quando ele sai, sem um Acordo de Acionistas rígido (que a S.A. obriga), a “política da família” destrói o negócio.

Conclusão: Profissionalismo pela Metade?

Leila Pereira entregou resultados de empresa, mas opera com o estatuto de clube social. Isso é Profissionalismo Híbrido. Funciona enquanto ela está lá. Mas não deixa um legado jurídico de proteção para a instituição.

Para o mercado, a lição é clara: Governança não é sobre a pessoa, é sobre o processo. E o processo associativo é, por natureza, instável.