Se analisarmos o Palmeiras sob a ótica de um investidor de Wall Street, veríamos um ativo extremamente lucrativo, mas com uma nota de risco altíssima em um quesito: Dependência de Stakeholder.
A reportagem da Forbes destaca a fortuna bilionária de Leila Pereira, mas toca na ferida aberta: ela ocupa, simultaneamente, a cadeira de Presidente (que cobra o patrocínio) e de Dona da Crefisa (que paga o patrocínio).
No mundo corporativo, isso é a definição clássica de Conflito de Interesses. Embora os resultados de campo mascarem o problema (a tese da Máquina do Esporte sobre a “narrativa da vitória”), a gestão cria uma armadilha perigosa para o futuro da instituição.
Abaixo, analisamos por que o “sucesso centralizado” é um risco de longo prazo.
1. O Risco da “Benevolência do Dono”
O Palmeiras hoje não opera pela lógica de mercado, opera pela lógica de um “Mecenas Moderno”.
- O Problema: O contrato de patrocínio e a gestão da dívida dependem da vontade política de uma única pessoa. Se amanhã Leila decidir sair (ou se a Crefisa enfrentar uma crise regulatória), o clube não tem um “sistema” que garanta a continuidade.
- A Lição B2B: Sua empresa depende de um único cliente que representa 80% do faturamento? Ou de um sócio que centraliza todas as decisões e o caixa? Isso não é um negócio, é um feudo. Empresas perenes constroem processos, não dependências.
2. A Blindagem contra a Crítica (Compliance Falho)
Quando a Presidente é também a credora, quem tem poder para fiscalizá-la? O Conselho Deliberativo, que deveria ser o check and balance (freios e contrapesos), fica enfraquecido diante do poder econômico. A gestão elimina a oposição política usando o sucesso financeiro como escudo.
- A Lição B2B: Um Conselho que só diz “sim” é inútil. A governança corporativa exige que o CEO seja questionado. Se não há auditoria independente real, a empresa está a um passo de cometer erros estratégicos cegos pela própria arrogância.
3. O Dia Seguinte da Vitória
A análise da Máquina do Esporte é cirúrgica: a gestão é blindada pelos títulos. Mas e quando a bola não entrar? Sem a taça, a narrativa de “gestão perfeita” cai, e sobram os questionamentos sobre o conflito de interesses. O modelo Leila não preparou sucessores; preparou súditos.
- A Lição B2B: O plano de sucessão é vital. Se sua empresa quebraria caso você ficasse doente por 6 meses, você falhou como gestor.
Conclusão: O Perigo de Ser “Dono” sem Ter a Escritura
Leila age como dona, mas o Palmeiras é uma associação. Isso gera um híbrido perigoso. O sucesso atual é inegável, mas a estrutura que o sustenta é frágil porque é personalista, não institucional.
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